terça-feira, 30 de novembro de 2010

PARA QUE O EVANGELHO SEJA REALMENTE UMA BOA NOVA


"E esta é a promessa
que ele mesmo nos fez, a vida eterna.
Isto que vos acabo de escrever
é acerca dos que vos procuram enganar."
(1 João 2:25-26)


O evangelho de Cristo é a mais extraordinária e fantástica notícia! Não é por acaso que o termo evangelho significa “boa nova”. No entanto, muitos que se dizem alcançados pelo evangelho não parecem ter a alegria de alguém que foi alvo de tão grande bênção. E muitos crentes, quando evangelizam, já não o fazem mais com o entusiasmo de alguém que é porta voz da notícia mais maravilhosa de todas. 



O que está acontecendo?



A resposta é simples: já não se evangeliza mais o verdadeiro evangelho. E como isso já vem acontecendo por décadas, grande parte dos crentes de hoje (que atenderam a um falso evangelho), talvez estejam na igreja pelas razões erradas. Não é difícil chegar a essa conclusão. A lógica é a seguinte: Se o convite evangelístico está errado, a motivação para atendê-lo também será equivocada. Ou seja, desde que se passou a anunciar outro evangelho, conseqüentemente temos passado a atrair outro público. 



Antigamente se anunciava Jesus como a salvação para nós, pecadores. Agora, e desde há muito tempo, anuncia-se Jesus como a solução para nossos problemas. 



Prova disso é o tão famoso slogan “Cristo é a solução”. Solução para o desemprego, para a doença, para a solidão, para o vício, para as causas impossíveis, solução para todos os nossos problemas! “Venha para Jesus e sua vida vai melhorar” – é assim que muitos “evangelizam” hoje em dia. O problema é que isso não é evangelizar, simplesmente porque essa não é a mensagem do evangelho.



Sabemos que essa alteração no convite evangelístico se deve à influência que a pós-modernidade tem exercido sobre a igreja. Ao invés de não se conformarem com o presente século, como nos alertou Paulo, a maioria dos crentes está tomando a forma deste mundo. Analisamos isso no artigo anterior



Apresentar Jesus como a solução se tornou cada vez mais atrativo para uma sociedade cada dia mais materialista e egocêntrica. E uma tentadora saída para “fisgar os peixes” em nosso evangelismo. A busca insaciável por números e resultados, que também caracteriza nossa sociedade, contaminou o coração de muitos líderes evangélicos. Numa sede por quantidade maior de membros, a maioria dos pastores busca estratégias que dêem resultados, ainda que não haja embasamento bíblico para tais estratégias. A isso se dá o nome de “pragmatismo”, a filosofia que não se importa com o que é certo, mas com o que dá certo. 




Dá certo apresentar Jesus como a solução? Atrai o público? É isso que eles querem ouvir? Então chamemos isso de evangelho! – Esse é o pensamento pragmático que tem dominado a maioria das igrejas evangélicas da atualidade. E, com isso, muitos não têm sequer idéia do que seja o verdadeiro evangelho.



Este evangelho pragmático tem atraído justamente o tipo de pessoas que Jesus mais repelia. Qualquer um que leia o capítulo seis do Evangelho de João chegará a esta conclusão. Quando o Senhor Jesus percebeu que uma grande multidão o seguia por causa do milagre da multiplicação de pães e peixes, ele passou a pregar aquilo que esta mesma multidão classificou como um “duro discurso”. E, por fim, quando perceberam que Jesus falava mesmo sério, a multidão se dispersou, comentando: “Quem o pode ouvir?”



É importante ressaltar que o Senhor não correu atrás daquela multidão, como fariam muitos pregadores da atualidade. Muito pelo contrário, Jesus encarou seus doze discípulos e lhes perguntou se eles também não gostariam de se retirar!



Por que Jesus fez aquilo? 



Pedro nos dá uma boa pista, ao explicar: “Para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” É isso que o Senhor espera daqueles que o seguem, a percepção de que somente ele pode nos dar vida verdadeira, vida que perdure além da vida, vida eterna!



Quando se anuncia Jesus por qualquer outro motivo, que não seja a nossa salvação, se reduz o Senhor ao mesmo nível de qualquer ícone religioso existente. Cristo é assim colocado no mesmo leque de opções no qual está Buda, Maomé, Alan Kardec, ou ainda qualquer entidade do chamado baixo espiritismo. Por isso a evangelização que é feita com promessas de cura e prosperidade não pode gerar a alegria de uma verdadeira boa nova. Pois, afinal de contas, o que há de novo com esta mensagem? Qualquer seita promete também cura, sucesso e prosperidade.



“Para quem iremos nós?” – Esta indagação de Pedro revela a singularidade de Jesus: Somente ele tem as palavras da vida eterna. Cristo nos dá o que nenhum outro jamais poderia ou poderá nos dar: uma vida com Deus.



Neste ponto nos deparamos com outra realidade. 



Quem ainda insiste na mensagem de que Jesus é o Salvador sabe muito bem disso: a sociedade na qual vivemos não se importa mais com a eternidade. Ninguém deseja pensar nisso. Esse é um assunto que não desperta mais interesse. Talvez estejamos todos entorpecidos com a mensagem subliminar contida em filmes, novelas, músicas, programas de televisão, e sites de relacionamento da internet. Em todos eles uma mesma mensagem oculta, que nos diz repetidamente: “Tudo está bem sem Deus... Tudo está bem sem Deus... Tudo está bem sem Deus...”



Não é isso mesmo que a mídia nos diz? Ao apresentar suas programações totalmente desvinculadas do conceito da existência de Deus, a mensagem que diariamente nos é transmitida, direta ou indiretamente, é essa: “Toda história pode ter um final feliz, ainda que Deus não seja buscado, ou sequer lembrado.” Será que temos idéia do quanto o conceito de “uma vida boa e normal sem Deus” está enraizado na mente da maioria das pessoas que desejamos evangelizar? 



Para que a mensagem da salvação seja de fato uma boa nova precisamos primeiramente despertar os ouvintes para esta cruel realidade, que deve ser dita sem rodeios: “Não, sua vida não vai nada bem. Acorde! Se você não tem Cristo, sua condição atual é a de ser inimigo de Deus, e se você morrer sem se converter a Ele o seu destino final será a perdição eterna.”



Enquanto uma pessoa não for convencida de sua triste realidade sem Cristo, de nada adiantará apresentar-lhe a vida eterna em Jesus. Afinal de contas, ela já se acha salva. A grande maioria das pessoas não se preocupa com a eternidade porque acreditam que, de alguma forma, Deus terá misericórdia delas.



Pergunte a qualquer um que não seja evangélico se ele acredita no inferno. Dentre vários que confessarão não acreditar, alguém dirá que acredita, mas com a certeza de que só irão para o inferno os piores pecadores, tais como assassinos e pedófilos. Todas as pessoas, independentemente de seu credo religioso, acreditam que algo melhor virá depois desta vida. E isso porque todos se acham “bonzinhos”, apesar de Jesus ter dito claramente que nenhum de nós é realmente bom. 



Existe um consenso social de que basta ter uma boa conduta para se ter um destino melhor. Seja este destino o céu ou uma reencarnação, como prega o espiritismo. Mas este consenso é totalmente contrário ao ensino bíblico cristão. Aliás, fosse verdade tal idéia, nem precisaria Jesus ter vindo ao mundo. Tanto antes de Cristo, quanto depois dele, houve muitos outros que ensinaram a moralidade como caminho para salvação. Mas a prática de boas obras não leva ninguém para o céu, pelo simples fato de que fazer o bem não passa de nossa obrigação, não havendo mérito algum nisso. Além do mais, a própria Bíblia nos afirma que não há ninguém que faça o bem e nunca peque. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Essa é uma verdade que o evangelismo pós-moderno procura esconder.



Jesus não veio ao mundo para ser um mestre de moralismo, ainda que ele mesmo tenha nos dado bom exemplo, andando por toda parte fazendo o bem; Jesus também não veio para resolver nossos problemas existenciais, ainda que ele tenha curado muitos doentes e até ressuscitado mortos; Jesus veio sim para nos reconciliar com Deus, retirando sua ira de sobre nós, ao tomar sobre si nossos pecados e sofrer na cruz do calvário o castigo que nos traz a paz. Sua ressurreição, ao terceiro dia, é a prova de que o Pai aceitou a remissão de nossos pecados por meio do Filho. Assim como Jesus vive, todos os que nele crêem viverão também através dele, por ele e para ele. E não há nada melhor do que isso! Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, mas Jesus nos oferece gratuitamente a vida, nos purificando e nos enchendo com seu Santo Espírito, a garantia de nossa salvação! Agora sim, temos uma boa nova de grande alegria!



Você percebe? Para que alguém se alegre com o evangelho necessita primeiro reconhecer sua miserável condição sem Cristo. Sendo assim, todo aquele que deseja anunciar a Jesus precisa mostrar o quão perdido alguém está sem ele. 



Evangelizar não se trata de uma questão de uma pessoa se sentir melhor, tendo isso ou aquilo por meio de Jesus. Evangelismo é muito mais do que isso! Trata-se de uma questão de vida eterna ou de perdição eterna!



Portanto, se queremos que o evangelho seja realmente reconhecido como uma grande boa nova, estamos diante de um enorme desafio: convencer esta humanidade pós-moderna do quanto ela está perdida e necessita se arrepender, de que há justificação somente pela fé em Cristo e de que haverá um terrível juízo para quem rejeitar este convite de amor. 



Mas, graças a Deus, não estamos sozinhos nesta grandiosa missão de evangelizar um mundo perdido. Se fizermos isso com fidelidade, temos a maravilhosa promessa de que o Espírito Santo nos ajudará (Mateus 10:19-20). Ele é quem convence o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo. (João 16:8) Nossa tarefa é somente pregar o verdadeiro evangelho (Marcos 16:15), o restante é por conta dele. 



Seja um verdadeiro proclamador das boas-novas, cheio do Espírito Santo, e não de confiança em si mesmo, e jamais esqueça: “maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo.” (1 João 4:4)


Por Alan Capriles

4 Deixe seu comentário!:

Cida Kuntze disse...

Olá Carlos!
Nossa, que texto!
Eu concordo com ele, nós temos que ter amor pelas vidas, mostrar aos homens a importância do arrependimento, que precisam se arrepender de todo o coração. O Senhor é a nossa Salvação!
Precisamos nos arrepender, nos humilhar, enfim, precisamos do Senhor da benção.
Um abraço.

CARLOS HERRERA disse...

O PASTOR ALAN ESTAVA INSPIRADÍSSIMO PELO E.SANTO..
ABRAÇOS CIDA

Vovó Noemia disse...

Lindo blog, parabéns!!!

Alan Capriles disse...

Agradeço por compartilhar este artigo e por recomendar meu blog.
Glória a Deus por tudo.

Um forte abraço, na paz do Senhor Jesus!